Aconteceu nos dias 8 a 10 de Novembro de 2010 a 9ª (nona) edição do Simpósio Brasileiro de Jogos e Entretenimento Digital (SBGames 2010) e, Florianópolis – SC, que é considerado o maior evento de Entretenimento Digital da América Latina. Promovido pela Sociedade Brasileira de Computação (SBC) e Associação Brasileira dos Desenvolvedores de Games (ABRAGames), o SBGames 2010 foi organizado pela Universidade do Vale do Itajaí (Univali) com patrocínio da Hoplon (criadora do Taikodom), Intel Software, Sony Computa Entertainment, SENAC, Aiyra e Nokia, no Hotel Bristol Castelmar no centro de Florianópolis. O grande objetivo do evento, que segue com o tema “Games na Rede”, é promover a troca de conhecimento entre os mais de mil participantes, entre profissionais da área (incluindo nomes conhecidos mundialmente), professores e alunos de todo o país.

Sendo este o primeiro SBGames que participo de muitos outros que viram, o primeiro dia do evento foi marcado com uma grande euforia, muitas atividades em paralela, negócios a serem tratados, intercâmbio, novos contatos e na minha opinião a melhor de todas as palestra (keynotes) do evento. Dom Marinelli é professor de teatro e artes e produtor executivo do centro de entretenimento e tecnologia do Carnegie Mellon, nos EUA. disse que os jogos ainda não são reconhecidos como formas de expressão artística por grande parte da sociedade, mas que isso pode mudar no futuro.
Desse modo, Marinelli defende que os estudantes de desenvolvimento de games, em qualquer área que seja, devem viver experiências reais. “Eu tento ensinar artes para estes alunos, para que eles sejam atores. Quero que eles sintam emoções reais como perigo, tristeza e felicidade. Somente assim eles criarão bons jogos”, conta. “Eu não procuro por um desenvolvedor de jogos, eu procuro por um artista”.
Marinelli também disse que os estudantes poderão criar games em diversas áreas, principalmente na educação, no entretenimento adulto e, no que ele acredita ser o próximo passo dos jogos eletrônicos, em títulos voltados para idosos. “Eu estou ficando velho e quero que vocês façam jogos para eu me divertir”. Ele comentou também que espera que os videogames sejam reconhecidos no futuro como arte – algo como o cinema é visto atualmente, por exemplo. “Quero que os videogames tenham o mesmo impacto de ‘Hamlet’”.
Durante o primeiro dia também assisti alguns papers, fiz alguns contatos e depois saímos para comer e beber um pouco com os novos amigos de Recibe, Brasilia, Rio de Janeiro e outros lugares.
Já no segundo dia, tive que acordar cedo pois a apresentação do paper do meu grupo eram as 9:00 da manhã, paper apresentado, novos contatos e novas atividades além do Plenário e cerimônia de premiação. Durante a cerimônia de premiação foi anunciado que o prêmio Abragames ao melhor profissional do ano, chamado de “Contribuição à Indústria Brasileira de Jogos”, mudará de nome, a partir de 2011, ele será chamado Prêmio Marcelo Carvalho, em homenagem ao primeiro presidente da Abragames, que faleceu este ano.
No último dia do evento conforme previsto aconteceu a palestra mais relevante com Jonathan Blow, criador de Braid,

Crédito da foto: Mario Oliveira
considerado um dos melhores títulos independentes dos anos anteriores quando saiu para Xbox 360 (2008), PC e PS3 (2009). Contemplado por um público de mais de 500 pessoas na plateia, o programador e designer que reside nos EUA abordou temas relacionados a como os desenvolvedores devem se relacionar com o público, e afirmou que nem sempre dar ao jogador o que ele quer é o correto a se fazer. ”O que é recompensador? Os game designers podem dar aos jogadores o que eles querem, mas às vezes isso não é saudável para as pessoas. Jogos como Farmville são do mal. Como designer, eu quero dizer que levo a magnitude destas consequências a sério“, afirmou Blow.
O profissional também fez uma analogia com relação à preocupação que os produtores devem ter com relação a magnitude de seus trabalhos, comparando como uma pessoa que pode sair para tomar uma cerveja com os amigos depois do trabalho, mas o efeito será nocivo à saúde se ela se embebedar todos os dias. Da mesma forma, se um game ruim fosse usado por uma única pessoa o efeito não seria impactante, mas na realidade o que acontece é que centenas de pessoas gastam milhares de horas de suas vidas com coisas que as tornam mais burras. ”Nós temos responsabilidade proporcional ao número de pessoas que afetamos. E este número é cada vez maior. Por isso eu não gosto de manipular jogadores. Quero ser o mais ético que puder. Tento criar a maior liberdade possível na mente do jogador.“
Por fim, Blow disse que o objetivo dos profissionais dessa área não deve ser preocupar-se em criar o jogo mais divertido, mas respeitar os jogadores ainda que se tenha pretensão de ganhar dinheiro com o game. Para atingir esse objetivo ele aconselha muita pesquisa e usar formas honestas de conversar com os jogadores, como se faz nas novelas.
Junto com a SBGames acontece o Festival de Jogos Independentes, oportunidade para pessoas e empresas mostrarem suas criações. Dentre os 34 títulos participantes, destacaram-se “Krimson”, game 3D no qual o jogador controla um dragão; “Painting Rage”, um puzzle que brinca com cores, e “Star Triad”, um típico game de nave para celular. Foram os jogos ganhadores deste festival.
Para aqueles que buscaram negócios, podia candidatar-se a vagas de empregos disponíveis em algumas produtoras como a Hoplon, que tem cerca de 110 funcionários, cujo jogo principal, o MMO “Taikodom”, custou US$ 15 milhões. No estande da empresa, os estudantes podiam deixar seus currículos e até mesmo conversar com funcionários do departamento de RH. Também tivemos a chance de visitar a empresa e conversar com os programadores, artistas, músico e outros membros da equipe.

Entre as atividades de lazer a Hoplon realizou um grande campeonato de Taikodom: Livind Universe no qual durante os 3 dias do evento aconteceram combates com patidades de 40 minutos cada em 50 máquinas. Os 3 vencedors foram premiados com placas de vídeo da última geração.

Empresas e instituições francesas de games também marcaram presença no evento, que teve iniciativa de integrar o 1° Encontro Franco-Brasileiro sobre Videogames. Foi discutido o desenvolvimento de parcerias comerciais e co-produções, além de colaborações entre universidades e laboratórios de pesquisa e pólos de competência.
Infelizmente eventos desse tipo ocorrem uma unica vez por ano, mas se eu sou você não ficaria fora da próxima edição que será em Salvador, que tal conhecer o que a baiana tem ? Fico por aqui galera, espero que tenham gostado, até a próxima e alias abraços a todos os amigos que fiz neste evento e até Salvador.


